Turismo e reabilitação urbana serão áreas que mais emprego vão criar em Lisboa

 In VIDA NA CIDADE

A Assembleia Municipal de Lisboa (AML) quer que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) e o Governo comecem a trabalhar em conjunto para realizarem alterações fiscais visando “promover o emprego qualificado estável” em áreas como o turismo e a reabilitação urbana, para além de uma aposta na formação contínua e na “criação de pólos industriais que alberguem a cidade da inovação e conhecimento”. Essa é a primeira das recomendações da deliberação final sobre o debate temático A economia na cidade e o trabalho  – organizado pela assembleia, no ano passado -, e através da qual  pedem ainda uma monitorização atenta da autarquia para contornar os “constrangimentos colocados pelo crescimento do turismo na cidade” e ainda que se desenvolva um “modelo de gestão sustentável” da rede de transportes, respondendo assim às necessidades dos munícipes, dos trabalhadores na cidade e ao elevado número de turistas.

 

Embora reconheça os problemas criados pelo excessivo peso da actividade turística na economia da cidade, a generalidade dos deputados municipais concede que a mesma é demasiado importante na criação de riqueza para que possa ser menosprezada. Tanto que o documento que encerra a discussão ocorrida em outubro de 2016, a pedido do PCP, e votado por unanimidade na sessão desta terça-feira (4 de julho) da AML, define como um dos principais desafios que se colocam à cidade a necessidade de um “conhecimento profundo da realidade da cidade para enquadrar as dinâmicas do imobiliário e do turismo e extrair delas o lado positivo, contrariando os seus efeitos mais perigosos, através de políticas públicas adequadas”. E se fala na necessidade de “activação dos desempregados” através de políticas públicas, bem como da necessidade de ter uma eficaz rede de transportes, frisa o papel que turismo e reabilitação urbana terão na criação de postos de trabalho.

 

E se a referência à necessidade de manter pólos industriais em Lisboa – que acabou por ser acrescentada, por sugestão do Bloco de Esquerda, ao primeiro ponto da recomendação, pouco antes da consensual votação final do documento, – foi bem acolhida por todos os deputados municipais, as críticas ouvidas à “monocultura do turismo” não foram suficientes para quebrar o consenso sobre o relevo que esta actividade tem tido na economia da capital. Tanto que, a par da sugestão de alterações legais ao regime da Reabilitação Urbana que favoreçam a dinamização da actividade económica de empresas nacionais da construção, o texto identifica como outro dos principais desafios que se colocam à cidade, no contexto da economia e do trabalho, a aposta “numa estratégia de valorização do turismo, potenciando todos os seus impactos positivos, ao mesmo tempo que se vão resolvendo os impactos negativos na cidade”.

 

“O sector do turismo teve um papel muito importante no contexto da crise económica que vivemos e teve, por outro lado, um papel decisivo na reabilitação do edificado da zona histórica e ao nível do investimento, porque conseguiu capitalizar mais de cerca de 150 milhões de euros de investimento, criando no sector de construção civil, muito afectado pela crise, cerca de 7 mil postos de trabalho”, refere o documento com as conclusões do debate temático organizado, no ano passado, pela assembleia municipal. Súmula que começa por considerar que “o ritmo de crescimento da população em Lisboa apresenta uma tendência decrescente, que se tem vindo a atenuar na última década” mas reconhece, logo depois, que se “verifica que o índice de renovação da população, em idade activa tem vindo a diminuir”.

 

O consenso em torno da importância económica do turismo vertido para o documento pareceu tão evidente – mais tarde, a deputada Ana Luísa Aldim (CDS-PP) qualificou-o mesmo como uma “benção económica para Lisboa e para o país” – que apenas foi possível perceber críticas ao seu papel dominante no momento da intervenção de alguns deputados municipais. Sobretudo à esquerda do PS. “Precisamos de ser um pouco mais audaciosos. Precisamos de alguns pólos industriais que sejam dinamizadores de emprego”, disse José Casimiro (BE), contestando o que considera “uma monocultura do turismo ou turistificação, como alguns lhe chamam”. E, por isso, sugeriu uma ligeira alteração na versão original da primeira recomendação, a qual pedia à CML e ao Governo a promoção de “emprego jovem qualificado nas áreas do turismo e da reabilitação urbana, através de incentivos fiscais”.

 

Os restantes deputados aceitaram a adenda e votaram consensualmente a redacção proposta pelo eleito do Bloco: “Que o Município procure em conjunto com o Governo promover o emprego qualificado estável, apostando na formação contínua e na criação de pólos industriais que alberguem a cidade da inovação e do conhecimento, e nas áreas do turismo e da reabilitação urbana, através de incentivos fiscais”. A segunda recomendação do relatório sobre o estado do trabalho na cidade pede à CML “que crie um grupo de trabalho para acompanhar os constrangimentos colocados pelo crescimento do turismo na cidade, procurando resolver de forma integrada e atempada os problemas que vão surgindo na cidade”.

 

A acompanhar as propostas do BE sobre a necessidade de sublinhar a importância das actividades do sector secundário em Lisboa, o PCP, pela voz da deputada municipal Ana Páscoa, destacou a necessidade de serem criados mais postos de trabalho em “empresas industriais não poluentes e em tecnologias de ponta”, bem como num “sector terciário avançado” e em “centros de investigação e ensino”. O sector farmacêutico e dos perfumes, bem como a cerâmica, o vidro e a mecânica ligeira foram apontados como exemplos de actividades industriais compatíveis com o perfil económico e laboral do município, bem como a defesa intransigente defesa do pequeno comércio – foi mesmo sugerido pela deputada comunista o veto à abertura de novas grandes superfícies.

 

Texto: Samuel Alemão

 

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Comments
  • Maria Sousa QQ Cousa
    Responder

    Pá lol

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