Elevador de Santa Justa vai ter motores substituídos ao fim de mais de um século

O Elevador de Santa Justa, inaugurado em 1902, verá os seus dois motores eléctricos, instalados cinco anos depois de entrar em funcionamento, substituídos pela primeira vez. A operação de remotorização das duas cabines que asseguram a ligação entre a Rua do Ouro e o Largo do Carmo será lançada no próximo ano pela Carristur – empresa detida pela Carris e responsável pela exploração de transportes turísticos –, prevendo-se que esteja terminada em 2020. “Esta mudança tem mesmo de ser feita, já não é possível continuar a operar com estas máquinas. A manutenção e os consumos já não correspondem aos padrões actuais. Já ninguém fabrica aquelas peças. Há sistemas electrónicos muito mais eficientes e até mais seguros”, diz a O Corvo o gerente da empresa, António Proença, assegurando que o caderno de encargos dos trabalhos está pronto e o concurso deverá ser lançado até ao fim deste ano. Antes disso, porém, haverá lugar a trabalhos de substituição do pavimento da plataforma superior.

 

A complexidade e a morosidade dos trabalhos de substituição dos motores que movem cada uma das cabines obrigarão a que sejam feitos à vez, permitindo que haja sempre uma em funcionamento. Cada uma destas operações durará seis meses, sendo realizada durante a época de inverno, quando a procura deste meio de transporte por parte dos turistas – os principais utentes – se revela menor. “Será a primeira vez que isto vai ser feito desde que se mudou do vapor para o sistema eléctrico [em 1907] e será algo para aguentar muitos anos”, explica António Proença, referindo que a empreitada de reforma profunda do sistema que assegura a locomoção das cabines do elevador que é Monumento Nacional foi já autorizada tanto pelo Instituto da Mobilidade e dos Transportes (IMTT) como pela Direcção-Geral do Património Cultural (DGPC). Os trabalhos de mudança no primeiro motor deverão começar no final de 2018 e estar prontos na primavera de 2019. Seguir-se-á idêntica intervenção no outro.

 

Texto: Samuel Alemão

 

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  • nuno caiado
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    espera-se que os ambos motores actuais possam recolher ao museu da carris

  • Rui Santana
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    Não havia necessidade! se duraram mais de 100 anos é porque o material é mesmo bom. Já não se fazem destas coisas como antigamente. Mas isso não interessa, o que é bom é material que esteja sempre a consumir peças para dar rendimento às firmas.

    • Carlos Ferreira
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      Os motores antigos deverão ir para o Museu da Carris. Suponho!

  • Rui Santana
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    Acrescento, os motores são uma peça importante do conjunto arquitectónico-tecnológico. Um calhambeque de 1920 só tem valor se tiver o seu motor original. Podem sim trocar fusiveis, contactores, disjuntores, cablagens, porque isso são meros acessórios.

  • Luiz de Sá Pereira, arquitecto
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    Ora aí está mais uma excelente intervenção no património nacional! Ou alguém acha que o BIGBEN se estivesse em Portugal não receberia uma nova motorização!

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